A 29 de agôsto de 1825, D.
Pedro I conseguira o que até então alguns achavam
impossível: depois de muitas negociações, Portugal
e Inglaterra finalmente reconheciam nossa Independência. Naquele
ano, portanto, o desfile cívico do dia 12 de outubro teria
um significado especial (naquela época nossa Independência
era comemorada a 12 de outubro, data da Aclamação
do Imperador).
Ora, a tropa que abria o desfile
era a dos temidos mercenários alemães, contratados
a peso de ouro na Europa e cujo quartel na Praia Vermelha era comandado
pelo Major Von Ewald. Alcoólatra e falastrão, Von
Ewald pouco antes tomara-se de amores por uma famosa prostituta
da época, Dona Gertrudes de tal, que enriquecera com o comércio
do corpo junto à nobreza e morava por isso em ótima
chácara na Praia de Botafogo.
Gertrudes inicialmente o repeliu,
mas Ewald, espertamente, organizara desfiles da tropa diante de
sua casa e, impressionada com o gesto do Major, nossa rameira cedeu
aos seus amores (será que vem daí a expressão
"topou a parada"?).
No dia do desfile da Independência,
especialmente festivo naquele ano, a tropa dos alemães entrou
toda garbosa no Campo de Santana trajando seu melhor uniforme. Porém,
logo o povo era tomado de estupefação geral. Na bandeira
do Brasil ostentada pelo batalhão, pendia um apetrecho nada
cívico: as ligas de Dona Gertrudes; ali colocadas por Von
Ewald como prova de amor à sua exigente meretriz. Até
para D. Pedro I, famoso por seus amores extraconjugais, o caso fora
longe demais. Logo após o desfile, mandou prender Von Ewald,
rebaixou-o de posto e submeteu-o a severa punição
com surra de vara.
Ewald fugiu mas foi capturado e preso.
Entretanto, depois de algum tempo e, talvez, premido pela consciência,
D. Pedro I o perdoou e tudo ficou como antes. Afinal, naquele mesmo
ano, nosso Imperador mantinha com os cofres públicos duas
amantes não muito melhores que Dona Gertrudes: a Marquesa
de Santos e sua irmã, a Baronesa de Sorocaba.
Naquela época todos os escândalos da nação
terminavam em pizza.
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